VENHO
Entro pela porta que combinamos dela deixar destrancada. Os pais dela estão viajando, a casa está vazia. Da sala ouço barulho de louça sendo lavada. Posso vê-la da porta da cozinha, enxaguando a louça. Pela sua atitude, não me percebeu chegando. Digo oi. Ela se assusta. Se vira e sorri sem jeito. Diz que cheguei mais cedo do que ela esperava.
A noite sopra. A noite envolve a casa. O sofá é nosso. Nossa vida se cumprimenta e pára pra conversar. Nossas vidas se confundem por um instante, como nossas palavras, bocas e olhares. Tento esconder minha euforia. Rimos loucos. Rimos, rimos, rimos, rimos pela noite que acena do outro lado das janelas. Na boca dela um sorriso constante, indestrutível. Passamos meses planejando esta noite. Passamos meses nos reconhecendo, nos estudando, nos medindo, nos calculando um ao outro.
“Passa a noite aqui”, ela diz depois de um sorriso quente. Aceito. Dormimos.
Quando acordo a noite é só lembrança e ela é só a desconhecida de anteontem.
Entro pela porta que combinamos dela deixar destrancada. Os pais dela estão viajando, a casa está vazia. Da sala ouço barulho de louça sendo lavada. Posso vê-la da porta da cozinha, enxaguando a louça. Pela sua atitude, não me percebeu chegando. Digo oi. Ela se assusta. Se vira e sorri sem jeito. Diz que cheguei mais cedo do que ela esperava.
A noite sopra. A noite envolve a casa. O sofá é nosso. Nossa vida se cumprimenta e pára pra conversar. Nossas vidas se confundem por um instante, como nossas palavras, bocas e olhares. Tento esconder minha euforia. Rimos loucos. Rimos, rimos, rimos, rimos pela noite que acena do outro lado das janelas. Na boca dela um sorriso constante, indestrutível. Passamos meses planejando esta noite. Passamos meses nos reconhecendo, nos estudando, nos medindo, nos calculando um ao outro.
“Passa a noite aqui”, ela diz depois de um sorriso quente. Aceito. Dormimos.
Quando acordo a noite é só lembrança e ela é só a desconhecida de anteontem.
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