sábado, 26 de janeiro de 2008

Anarquia & Repressão


Só nos querem por perto
quando a gente tá longe?

O que a gente tanto quer mostrar
se a gente só se esconde?

Qual o problema se a gente só sonha
em noites de insônia?

Com o tempo nossas peles
vão ficando ásperas como a lã
e nossos olhos,
fundos como despenhadeiros...
Mas será que a vida é mesmo um
eterno ganhar-e-gastar dinheiro?
- Gasta-se o corpo, gasta-se o tempo,
ganha-se pouco pra garantir o sustento,
contas são contas, segura-se o choro,
segura-se as pontas -

Anarquia e repressão
EUforia x dePRESSÃO

mas todo mundo só reclama,
descansa o corpo na cama,
a alma na prece
e pensa que podia ser pior –
afinal, a loja da Paz
ainda aceita cheque

e trabalha-se 8, 16, 24 horas por dia –
até que o corpo (a alma?)
não suporte mais
e venha a gratificação:

DESCANSE EM PAZ

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

MENTE FRÁGIL

a ferida a bala o desespero
a corrida bélica e o dinheiro
o desconforto de um mundo inteiro
os pensamentos enquanto o cigarro
queima no cinzeiro
& uma madrugada imensa

os impostos a crise Cristo
a política os ossos e o atrito
várias noites e o mesmo risco
o interesse dos políticos
& uma esperança imensa

a televisão a mídia o carnaval
o futebol a praia país tropical
o sol tomara-que-caia açúcar e sal
emprego mesmo que emprego informal
mesmo que subemprego
todo ano um novo feriado nacional
& uma alegria imensa

a ferida a bala o desespero o imposto a crise
os ossos e o atrito a televisão a mídia o sol
& nossa vida imensa
(mente frágil)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

POST MERIDIUM

Se eu pensar mais um pouco, fico louco... Espero que alguém

me leve, pois a vida pesa e não há alívio

nem na prece nem na reza... Amanhã

se desdenha o que hoje se preza...

Nem reza nem prece... Depois de amanhã se percebe

que nada permanece... É tudo passageiro.

Sem exagero, sem apelos de retórica:

o pouco de alegria que demonstro é resultado da

vodca

&

c/ o espírito em desordem,

ganho a noite & ela é minha até que os cães acordem.

Durante a noite, só ouço meus grilos.

Durante o dia, vivo em sigilo.


Na minha boca, um verso. Na minha roupa, uma tendência.

Acorda-se, mas se permanece na inconsciência; pode até

pensar, mas nunca ponha suas razões em evidência...

Penso que a gente é escravo

se tem alguma crença

&

de novo,

mal aparece a lua

eu ganho a rua.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

PRECISO DE MOVIMENTO

preciso do movimento
que não termine em fracasso,
porque me alimento
só do que caço

preciso do movimento
que não gere cansaço,
porque eu quero tudo
sem um método passo a passo

preciso de uma voz
que seja como o vento:
capaz de mover moinhos

preciso aprender o movimento
dos que destroem com a precisão
com que pássaros constroem ninhos

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

PUNK SOUL


1.

por sobre os remendos, tiros, suspiros,
conversas cor de cobre e outros horizontes,
as nuvens conservam seu brilho metálico
e a garoa açucarada se derrama sobre os ombros

sob os sinais vermelhos, avenidas, faixas de pedestres,
calçadas, acenos, tráfego lento e respiração tensa,
um abismo espreita nossos passos
e as bocas são mapas do desejo

entre antenas imitando guarda-sóis, sangue enchendo articulações,
luzes despejadas por bares, cruzes e crucifixos,
temos Cristo vigiando nossos atos,
velando nossos passos.

2.

resistimos existimos insistimos apesar de tudo apesar de todos
sabemos quase tudo sobre todos sonhamos sob toldos
sobretudo à noite
tiraram nossos pés do chão e agora pisamos no lodo
resisto duvido do que existe e do que foi visto

nossos sonhos têm a textura da seda
temos sede
estamos cada vez mais próximos do pote de ouro no fim
do arco-íris
os olhos, a retina e a íris bateram asas o dia inteiro e
descansam no perfume do cabelo delas
quase sempre sorridentes
quase sempre óleo sobre tela

3.


adrenalina endorfina nicotina cafeína

& o brilho de sempre

iluminando as esquinas