
procuro
quando muito perco
tento
procuro abrigo teto
céu onde exercitar as asas
reviver lembranças
que o presente ainda não enterrou
a intensidade de uma rua coberta
de azulejos fluorescentes
e céus salpicados de lábios femininos
não há saída
nem chance de libertação.
plantei cruzes
nas calçadas
no altar
calço os tênis vago ando
repito os passos dos meus pais
negocio tristezas com os outros passageiros deste ônibus
desgovernado chamado Vida.
meus heróis estão mortos e enterrados
se suicidaram cometeram suicídio
ou morreram de tédio
e foram esquecidos
pelo País Sem Memória
os versos dos meus amigos vão embolorando
no fundo da gaveta
junto com os livros
dos nossos
heróis decadentes
e o que sobra vegeta
mergulha num triste pântano vegetal
esperando que um sorriso opaco
devolva aos sonhos
o brilho original.
mas se nossos olhos anoiteceram
sob as fachadas encardidas
de fuligem
nosso coração ainda vibra
ao som daquelas músicas que
sustentaram nossos delírios
e nossas bocas ainda ecoam
a
luz primordial
(pela qual continuamos
sedentos
ansiosos
viciados)
1 comentários:
saudades de ler vc!
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