segunda-feira, 13 de abril de 2009

LISTO


procuro

quando muito perco

tento

procuro abrigo teto

céu onde exercitar as asas

reviver lembranças

que o presente ainda não enterrou



a intensidade de uma rua coberta

de azulejos fluorescentes

e céus salpicados de lábios femininos



não há saída

nem chance de libertação.

plantei cruzes

nas calçadas

no altar

calço os tênis vago ando

repito os passos dos meus pais

negocio tristezas com os outros passageiros deste ônibus

desgovernado chamado Vida.


meus heróis estão mortos e enterrados

se suicidaram cometeram suicídio

ou morreram de tédio

e foram esquecidos

pelo País Sem Memória



os versos dos meus amigos vão embolorando

no fundo da gaveta

junto com os livros

dos nossos

heróis decadentes


e o que sobra vegeta

mergulha num triste pântano vegetal

esperando que um sorriso opaco

devolva aos sonhos

o brilho original.


mas se nossos olhos anoiteceram

sob as fachadas encardidas

de fuligem

nosso coração ainda vibra

ao som daquelas músicas que

sustentaram nossos delírios

e nossas bocas ainda ecoam

a

luz primordial

(pela qual continuamos

sedentos

ansiosos

viciados)

1 comentários:

Anônimo disse...

saudades de ler vc!