sexta-feira, 10 de abril de 2009

a sombra é para poucos


O corpo linha paralela ao colchão chora lágrimas enfermas.
As noites correm com suas pernas femininas e ágeis.
Desejo.
O gosto delas, o gosto dela é quente brilhante excita ameaça acua.
O corpo, condutor de sensações.
A alma respira aflita.
Ela suspira calor, transpira energia os valores da terra.

Volto para casa,
pro meu quarto,
pro meu mundo de perímetro limitado.
Desejo.
Eu a desejo.
Sangue e sabor.
Sílabas iluminadas
Sílabas tatuadas na pele ardente e cheirosa de inúmeras noites gravadas nos meus olhos. Desejo.
Desejo.
Os pêlos acompanhando o apelo do hálito dela.
Desejo.
Outro copo, outro corpo, outra dose, outra pose, outra vida,
noites e noites amontoadas na memória.
Estive lá,
tive lá as melhores experiências.
Seu palácio também é noturno.
O sol continua parado emitindo seu brilho pálido pelos trópicos,
por um mundo mergulhado num eterno inverno.
Minhas veias e órgãos exaustos.
A noite virá semeando tragédias delicadas.
Meu corpo chora o azul e o bronze de reinos que só a noite governa.
A noite nos cabelos na crina a noite em cima a noite-enzima.
O corpo tentando dizer o que a alma desconfia,
a alma falando ao compasso desigual do corpo,
olhos desalinhados, veias, galhos e órgãos em miséria.

A noite –
essa droga vicia mata tempera ensina a intimidade com o abismo,
você sabe, eu sei,
há sempre a possibilidade de um replay,
mas esta noite é esta, não aquela – agora o amor a promessa e a dívida não passam do brilho aleijado do sol visto da minha janela.

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