Mais uma vez ponho a mão na consciência. Trabalho muito, tenho um milhão de afazeres e obrigações diárias de cidadão e ainda penso em escrever, penso em ritmo de verso e pontuação adequada para minha prosa. Isso mata! E é inútil. estamos no Brasil, entende? Ninguém lê aqui e eu me matando tentando dar às minhas experiências e subjetividade um toque autenticamente literário. Pra quê? Pra ninguém ler, reconhecer meu esforço, aplaudir ou mesmo repudiar acusando meus poemas e prosa de falta de qualidade literária ou me chamando de autior sem talento. Não existe nada mais inútil do que escrever, escrever no sentido mais profundo do termo, no Brasil. Além disso, tem gente demais mas escrevendo mais do que lendo. Todos querem escrever, falar de si próprios, de suas vidas - e não há ninguém para ler - não estamos em um país de leitores preocupados com a situação literária. estamos no Brasil! Mesmo a publicação não impede que um autor permaneça obscuro, sentindo infrutífero o seu esforço e também para o escritor a vida vira avida de apertador de ´parafuso onde a experiência vivida é só mais um a experiência vivida - no máximo, assunto para um encontro com amigos -, mas nunca algo que ganhe repercussão como obra. Meus amigos ainda escrevem, alguns estão para publicar, porém, seus afazeres os impedem de ler os trabalhos uns dos outros e quando lhes sobra algum tempo, escrevem e depois mandam seus escritos por e-mail uns para os outros.Para ninguém ler e ter como comentar. O melhor mesmo é largar a pena, se conformar de que se está no Brasil e que ninguém lê e quem lê não parece saber o que ou por que lê - a maioria das vezes só para ter assunto quando o papo na roda de conhecidos ficar mais culto. Mas, lembro das inúmeras tentativas que fiz de parar de escrever. Todas inúteis. Como diria Solomon, "já desisti da literatura um milhão de vezes e já voltei pra ela um milhão e uma". Dava um tempo, eu voltava e mesmo diante de toda indiferença, eu escrevia, procurava a palavra e ritmos convenientes à minha intenção, o episódio da minha vida que poderia virar prosa. Mas aqui é o Brasil, onde cultura é artigo de luxo e aclasse média - quem teoricamente a consome - não está interessada em livros. talvez não seja só aqui. Os poetas estão condenados - assim como os heróis mortos e a arte enterrada. McLuhan disse certa vez para um grupo de escritores que estava diante de um araça em extinção - ele errou. O escritor continua aqui, o que parece ter se extinguido foi o público. de qualquer maneira, escrever é inútil agora e quando me flagro pensando em versos ou períodos, penso que sou inútil, esmurro ponta de faca, faço um esforço inútil para ter o que não pode e que o melhor a fazer é mandar currículos, fazer relações influentes no mercado de trabalho e usar o papel só depois de usar a privada e acaneta só para assinar cheques e o computador só para procurar emprego. Escrever pra quê? mas naõ consigo deixar de acreditar que para o escritor a vida só vira vida a partir do momento em que ela pode também ser experiência estética e integrar sua obra - e nesse ponto, escrever seria essencial à vida. Além disso escrever não é opção - conforme já se garantiu, nasce-se escritor ou poeta por sabe-se lá que desígnio genético e que hoje em dia só constitui um incômodo para quemn possui esse "gene". Ainda mais quando se nasce no Brasil. Pobres escritores, poetas e tudo o mais! Parem de escrever - ninguém se importa com seus esforços em traduzir sentimentos, experiências em palavras, ninguém quer ou vai ler - vão trabalhar, vaõ arrumar algo útil pra fazer, larguem seus versos e contos e vão passear no parque ao sol de domingo - não há mais nada afazer. Ponho a mão na consciência, calculo o tempo que passei (melhor, desperdicei) compondo meus poemas ou revisando meus contos e me revolto com a minha estupidez - tempo que poderia ser devidamente empregado em coisas úteis e que dariam algum resultado. Acho que é o fim da linha e lembro de Kerouac que em sua auto-entrevista disse ter vindo ao mundo para escrever - infeliz! No fundo, acho que os meus amigos escritores e eu também viemos ao mundo também para escrever - e ninguém ler, nem mesmo o trabalho uns dos outros - mas só nos resta tentar parar ou, como Bortolotto certa vez me aconselhou depois de postar um poema meu em seu blog (alías, um dos raríssimos momentos em que vi meu esforço valer a pena), só se pode continuar a escrever, porque afinal não se tem mais nada a fazer. É, o que resta fazer - só tentar parar ou continuar escrevendo sem esperança disso se tornar outra coisa se não esforço na procura pela palavra certa ou da traduçaõ mais fiel de um sentimento ou experiência... Mas, eu ainda preferia entender por que não consigo parar apesar da inutilidade do ato de escrever e que, por estar no Brasil, ainda não desisti...
ponho a mão na consciência e penso. escrevo este texto e acho o ponto final... Estou cansado e não consigo parar. Amanhã trabalho estou aqui tarde da noite desabafando sobre asituação... estou aqui adiando o ponto final só pelo prazer de escrever. Escrevo e apesar de tudo pretendo continuar a escrever. Mesmo apesar da indiferença, da falta de incentivo e de estar no Brasil, pretendo continuar escrevendo e enfim, o ponto final.
(30/7/2008)
7 comentários:
Mas tem o mais interessante - a passagem sobre o "conselho" do Bortolotto. é um p*** dum desabafo... é o estômago buscando a luz da superfície e o coração trafegando embriagado por horizontes qque nunca amanhecem.
Naum sei como se escreve o nome do McLuhan, mas acho que dá pra saber quem é...
Ninguém comenta, comento eu mesmo...
Tem sempre gente lendo! Portanto não leve em consideração a falta de comentários. Lute mesmo contra todo o torpor cotidiano que te ataca! Busque sim os horizontes, mesmo que eles estejam numa mesa de bar na esquina com amigos que não tem mais tempo de ler o que os outros produzem!
Não pare nunca....
Para de choramingar e escreva...
" O simples fato de que a mensagem talvez não tenha sido respondida,não significa que não valha a pena ser enviada"!
. . .
Sofremos do mesmo mal!
(risos)
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