quarta-feira, 29 de julho de 2009

Kurt Cobain - Retrato de uma Ausência



Há umas duas semanas circulou o anúncio da estreia de Kurt Cobain – Retrato de uma Ausência. Mas no bendito dia o documentário estranhamente não estava em cartaz – parecia não existir. Mas na semana passada o filme voltou a constar nos guias culturais, com pré- estreia na Paulista, às 23:10, sábado.
O que eu sabia do documentário é que se tratava da história de Kurt Cobain contada por ele mesmo – na verdade, entrevistas que ele concedeu um ano antes de sua morte, de forma bem espontânea, cheia de palavrões e expressões do tipo “you know?”. É justamente esta história contada a coluna cervical do documentário – as cenas simplesmente ilustram o que Cobain diz. O discurso do líder do Nirvana foi editado de maneira a ter uma coerência cronológica. Assim, começa com a infância tediosa em Aberdeen e passa pela separação dos pais, a adolescência, a descoberta do punk rock, a formação da banda, a tentativa de gravar e a conquista da fama. São raríssimas as cenas do Nirvana em si e de Kurt Cobain só as últimas.
O mais interessante é a maneira que Cobain revela sua devoção à filha e à esposa. Talvez por ter sido fruto de um lar despedaçado, o vocalista e guitarrista pretendia dar o contrário à família. Courtney aparece como uma santa que o salvou da perdição e Frances seu motivo de viver. Mas ao mesmo tempo em que “idealiza” esta família como a que não teve, o compositor do Nirvana fala de seu vício em heroína e tenta justificá-lo (como alívio para as míticas dores de estômago) ou mesmo diminuir sua importância dizendo que usava drogas de “maneira instrumental” (como calmante e para suportar as pressões da fama).
Mas o Cobain de Retrato de uma Ausência talvez surpreenda pela noção que tem do tempo e lugar onde vivia, da geração à que pertencia. Principalmente aos que o imaginavam como alguém introspectivo demais para se preocupar com coisas do tipo “problemas de sua geração”. No documentário, Cobain mostra-se consciente de ser filho de uma geração de pais divorciados e inocência perdida cedo demais, onde as relações humanas já começavam a se deteriorar e as ideias de princípios e ideais na música já não existiam mais.
Sobre sua relação com a fama, Kurt não fala nada além do que sua opinião bem conhecida – da mídia e do público acharem que só por que alguém é famoso tem de expor sua vida particular.
No fundo, as falas do líder do Nirvana não divergem do muito que já foi escrito e falado sobre ele. O que muda na verdade é a perspectiva em que estas coisas são contadas – na de quem as viveu. Isso não impede o documentário de ser uma nova maneira de ver e entender talvez o último grande herói do rock e líder da última grande banda. Bom divertimento!

P.S. Uma coisa que me intrigou foi sobre o título do filme. Em inglês é About a Son, relação nenhuma com o filme. Em português parece mais coerente – Retrato de uma Ausência – mas justamente por não ter nenhuma relação aparente com o título em inglês. Bom, vai entender..

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