domingo, 18 de outubro de 2009

TRIP


o castanho dos teus olhos
é o castanho dos meus
nossos cumprimentos
parecem adeus
eu continuo comigo
sempre em pedaços
contando meus passos
pro fundo do abismo

o tempo destrói
eu sei você sabe
o tempo destrói
ontem é tarde
não deixe meu coração parar
não me faça parar pra pensar
me faça sentir
em qualquer lugar
mesmo longe daqui

será que sou suas quatro paredes?
será que sou sua fome e pertences?

é escuro
mesmo onde a luz alcança
onde sua boca ilumina
é claro
mesmo onde falta luz
onde seus olhos se fecham
(e desatina)
você dispara
sou eu que engatilha
é triste o fim do dia
é estreita a trilha -
o que não acena é miragem
e este não é
o destino da viagem

eu sinto e não digo
eu sinto o perigo
eu escrevo e não ligo
eu abandono o abrigo
e volto pra mim sem você
sem ninguém pra dizer
onde é o começo
onde é meu fim

3 comentários:

Wagner Hilário disse...

Ericão

Mais um dos seus bons poemas.

Cada vez mais simples, mas sempre líricos e viscerais, como há algum tempo me disse que queria que fossem.

É bom vê-lo avançar, seguir sem parar essa "viagem", essa TRIP: lietaratura.

As imagens do blog... Você é dos poucos cujo traço impressiona no verbo e nas cores.

Abraços saudosos.

Érico Marin disse...

Agradeço o comentário e a presença. Abraço. Valeu.

Anônimo disse...

Grande Érico:
O amor é sempre uma viagem.Ou a viagem é o poema ? Ou o amor é o poema,se viaja nas palavras.Concordo com o Wagner quando diz que teus textos são viscerais. Ao som do Nirvana..Paz e poesia.!!!

Touché
http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net