
Riders on the Storm, espaço Anchieta, 18 de abril
Como em 2004, a apresentação foi aberta por Carmina Burana numa tentativa de emprestar grandiosidade ritual à apresentação. Então, a banda entrou - Manzarek como o maestro. Espetaram "Love me two times" logo de cara e o uivo da platéia foi de arrepiar a espinha. a voz de Bret Scallions não só lembrava a de Morrison como deve ter feito os presentes pensarem estar vivendo um flashback. Krieger preciso em um solo sem registro em disco. Em "Break on through", Scallions teve a oportunidade de demonstrar porque ocupava o lugar que um dia foi de Morrison - tinha a silhueta, postura e performance que fizeram do rei lagarto a figura carismática e marcante que foi. O jogo de vozes no trecho "she gets higher" lembrou o diálogo que Morrison e Manzarek desempenhavam nos shows nos anos 60. Em "When the music's over", o mérito veio da iniciativa de improvisar e do virtuosismo de Krieger. O repertório seguiu com "Piece Frog", "Whisky Bar" (com adesão total do público) e após uma demonstração de técnica flamenca por parte de Krieger, "Spanish Caravan - númeroque deu à música, quase desconhecida, uma força imensa. Scallions cantava idêntico à Morrison, a voz com o mesmo apelo, tocando meia-lua, brincando com o microfone,vestindo couro (inclusive adotando uma jaqueta em determinada altura do show), mas ficava a impressão de uma marionete, manipulada como front man para substituir alguém que fisicamente ou como performer pode ser substituído, mas cuja maior virtude artística não podia - a capacidade de improvisação e o magnetismo. Krieger e Manzarek exibiram a técnica que os fez famosos nos discos, mas Manzarek tentava a todo momento ocupar a posição de destaque, fosse como porta-voz ou como objeto de homenagens dos outros integrantes. Como o dono do The Doors. Mas sempre parecendo o regente de uma orquestra deslocada no tempo e com cara de entretenimento barato.
O último número, como não poderia de ser, foi "Light my Fire", anunciada por Manzarek como "escrita por Robby Krieger". Talvez a música mais famosa da banda, seu solo ggantesco permitia e permitiu aos músicos exibirem habilidade em seus instrumentos e até um intercurso pelo samba com todos os integrantes tocando percussão e Krieger tentando acompanhar na guitarra distorcida. O público vibrou, alguns pareciam estar realmente se sentindo nos anos 60, a banda estava afiada, mas não me senti satisfeito... Uma impressão que depois minha namorada descreveria como "todos podem ficar velhos, mas quem faz o papel de Jim Morrison sempre deve ser jovem" fez com que eu me perguntasse até quando Manzarek e Krieger vão arrastar essa farsa? Ou melhor, até quando o mito Morrison vai sustentar carreiras?